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Bagre Fagundes: quem foi o tradicionalista e autor de uma das músicas mais famosas do RS

Bagre Fagundes recebeu o Troféu Origens em 2019, no Galpão Crioulo O músico e tradicionalista Bagre Fagundes morreu neste domingo (2), aos 86 anos. Represent...

Bagre Fagundes: quem foi o tradicionalista e autor de uma das músicas mais famosas do RS
Bagre Fagundes: quem foi o tradicionalista e autor de uma das músicas mais famosas do RS (Foto: Reprodução)

Bagre Fagundes recebeu o Troféu Origens em 2019, no Galpão Crioulo O músico e tradicionalista Bagre Fagundes morreu neste domingo (2), aos 86 anos. Representante da cultura do Rio Grande do Sul, ele é um dos autores do "Canto Alegretense", composição emblemática do estado. Euclides Fagundes Filho nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 3 de outubro de 1939. Filho de Euclides e Florentina Fagundes, a Mocita, ele cresceu na cidade de Alegrete ao lado de seis irmãos e cinco irmãs. O apelido "Bagre" surgiu na adolescência e foi adotado por toda a vida. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Bagre era casado há 64 anos com Marlene Fagundes, com quem vivia em Porto Alegre. Dessa união, nasceram os filhos Neto, Ernesto, Luciana e Paulinho. "O grande legado que o meu pai deixa para todos nós é a coletividade, é entender que todo mundo é importante. Que aqui o cinegrafista, o repórter, quem está editando lá em cima, tudo é coletivo na vida. A gente criança indo com ele fazer um evento e ele dizendo pra gente assim 'cara, vocês são tão importantes quanto os garçons que estão atendendo as mesas, entendam isso'", disse o comunicador Neto Fagundes. Ao longo da carreira, Bagre construiu uma trajetória diversificada. Além de músico, foi advogado formado pela Universidade de Cruz Alta, vereador em Alegrete, jogador e até árbitro de futebol. Na política, foi filiado ao PTB na época de Leonel Brizola e, posteriormente, ao PDT. O tradicionalista também presidiu o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF). Nos anos 2000, assinou a coluna "Gauchesco & Brasileiro" no jornal Diário Gaúcho, onde escrevia sobre a cultura do estado. A música foi a principal vocação do artista. Ao lado do irmão Nico Fagundes, compôs "Canto Alegretense", canção que projetou seu nome para além das fronteiras gaúchas. Bagre mantinha uma rotina ativa nos palcos. Ele se apresentava com os filhos Ernesto, Neto e Paulinho, com quem formava o grupo Os Fagundes. O reconhecimento pelo trabalho rendeu homenagens em vida. Em 2013, a escola de samba Embaixadores do Ritmo levou ao Carnaval de Porto Alegre o enredo "Não Me Perguntes Onde Fica o Alegrete", inspirado na obra da família. Bagre gravou a versão oficial do samba-enredo com sua gaita-ponto e a família participou do desfile no Porto Seco. Conhecido pelo bom humor, o artista costumava falar sobre a própria trajetória com ironia. Ao completar 80 anos, afirmou que ainda não havia alcançado seu objetivo: "o de não fazer nada". Na mesma época, em 2019, recebeu uma homenagem da RBS TV no programa Galpão Crioulo, quando foi agraciado com o Troféu Origens. O velório ocorre nesta segunda-feira (3), das 10h às 16h, no Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, em Porto Alegre. Bagre Fagundes morreu neste domingo (02) Duda Fortes/Agência RBS Homenagens e repercussão Autoridades, entidades e artistas usaram as redes sociais para prestar homenagens ao compositor na noite de domingo. O governador Eduardo Leite (PSD) publicou uma nota de pesar. "O Canto Alegretense é como se fosse um hino informal do nosso Rio Grande e todos cantam com o mesmo fervor que a gente canta o hino", disse o governador. O Sport Club Internacional dedicou a vitória de domingo ao artista. "Conselheiro do Clube do Povo entre os anos de 2001 e 2012, Bagre será sempre lembrado por sua contribuição à cultura do nosso estado e pela paixão pelo Inter", afirmou o clube. O grupo Os Serranos, que regravou o "Canto Alegretense", lamentou a morte em nota: "Hoje nos despedimos de um artista, mas celebramos um legado que permanecerá vivo em cada acorde, em cada verso e em cada gaúcho que seguir cantando nossa identidade". A sobrinha Mocita Fagundes relembrou o convívio familiar. "Vou guardar pra sempre a imagem dele com a sua gaitinha nas mãos, levando música por onde passava. Era um talento que encantava o Rio Grande, mas que, para nós, fazia parte das lembranças mais afetuosas da família", disse. O Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) declarou que "sua trajetória, sua obra e sua contribuição permanecerão vivas na memória e na cultura do Rio Grande do Sul". Famoso por incluir o "Canto Alegretense" em suas apresentações, o humorista Jair Kobe, o Guri de Uruguaiana, afirmou ter recebido com "muita tristeza a notícia do falecimento de Bagre Fagundes, um dos grandes nomes da cultura gaúcha". VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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